Estamos contando os dias para o Início da Copa no Mundo 2014 no Brasil
Cultura Gaúcha
CHIMARRÃO 
O Chimarrão, legado da cultura indígena Guarani, constituiu-se na bebida típica do Rio Grande do Sul. Também conhecido como mate amargo, o chimarrão é o símbolo da hospitalidade e da amizade do gaúcho.
VESTUÁRIO
Nos primórdios da história do Rio Grande do Sul, o gaúcho não dispunha de domicílio definido, era caçador, coureador, um índio ou mestiço que andava de estância em estância, desempenhando serviços executados a cavalo, o que transparecia no seu modo de vestir. Neste período, surgiram duas classes sociais distintas, de acordo com as condições sócio-econômicas da época: o estancieiro, de condições financeiras favoráveis e que vestia um traje de origem européia chamado BRAGAS; e o peão, domador de gado que adotou, como proteção para o trabalho, a utilização de dois palas - um enfiado na cabeça e outro enrolado na cintura, tipo saia, conhecido como CHIRIPÁ PRIMITIVO.
Num segundo momento da história do Rio Grande do Sul, o estancieiro, ou charqueador, tornou-se um homem ocupado com o comércio de couros e outros produtos derivados do gado. Ele também vestia-se à moda européia, usando o traje conhecido como do CHARQUEADOR, composto por botas russilhonas ou "granaderas" levantadas, e calças por dentro das botas, tendo estas um recorte triangular na braguilha. O peão, que passou a ser mais procurado e sua destreza na lide campeira, vestia dois palas, um enrolado por entre as pernas e outro enfiado ao pescoço, usando o conhecido CHIRIPÁ FARROUPILHA.
A terceira época da história econômica do Rio Grande do Sul é marcada por transformações que alteraram a vida do gaúcho no campo. O peão tornou-se o empregado rural, enquanto o fazendeiro aprimorava suas habilidades empresariais. Novas técnicas, nacionais e internacionais foram adaptadas visando o desenvolvimento dos negócios agropecuários no Rio Grande. O gaúcho deste período caracteriza-se pelo uso da BOMBACHA, indumentária confortável e livre, bem de acordo com os seus hábitos campeiros.
PRENDA, no Rio Grande do Sul, é a mulher gaúcha, segundo o movimento tradicionalista gaúcho, e seu par é o peão.
A indumentária típica da prenda consiste em um vestido (ou saia e blusa), com ou sem casaquinho, cuja barra alcança o peito do pé. O modelo da saia varia de acordo com a idade e estrutura física da prenda. As mangas da blusa podem ser longas, três-quartos ou até o cotovelo, e podem ser lisas ou levemente franzidas, mas não bufantes. Geralmente a prenda não usa decote, mas, um leve decote, com ou sem gola, sem expor os ombros e o seio, é admitido. Os sapatos são geralmente pretos, brancos ou bege, com uma tira sobre o peito do pé abotoada do lado de fora, podendo ter salto cinco ou meio-salto.
Os cabelos devem estar semipresos, presos ou em tranças, enfeitados com flores discretas, que podem ser naturais ou artificiais. As mulheres mais jovens podem usar travessas simples ou com flores discretas e passadores nos cabelos. Em respeito à idade ou gosto pessoal, o uso de adereço no cabelo é opcional.
A maquiagem deve ser discreta e de acordo com a idade e a ocasião social.
A prenda jamais usa brincos de plástico coloridos, relógio, pulseiras, luvas ou colares.
NOTA: O termo " Prenda ", possui o significado de algo precioso, valioso, insubstituível para o Gaúcho. É uma forma de gentileza utilizada pelos homens para se direcionarem às suas mulheres.
CULINÁRIA GAÚCHA 
O churrasco é o prato típico do gaúcho, presente nos finais de semana e em dias festivos. O arroz "carreteiro" também compõe a tradicional cozinha gaúcha. Outros pratos, como o feijão mexido (feijão misturado com farinha de mandioca), o quibebe (purê de moranga), a "roupa velha" (sobras de carne com ovos mexidos), o "espinhaço de ovelha", o charque com madioca, a paçoca de pinhão com carne assado, a couve refogada, o arroz com galinha, o "puchero" (cozido de carne com legumes) fazem parte da culinária rio-grandense.
DANÇA
A principal influência foi a dos portugueses, que trouxeram o seu modo alegre e expansivo de dançar. Os gaúchos trocaram os famoso tamancos do folclore português, por botas e sapatos adaptados por causa do clima frio.
TIPOS DE DANÇAS
Anú: Dança típica do fandango gaúcho. Divide-se uma para ser cantada e outra para ser sapateada. Dança de pares soltos mas não independentes, é grave e viva ao mesmo tempo. Na parte cantada é cerimoniosa e na sapateada realiza as evoluções bastante marcantes.
Tirana do lenço: Dança espanhola muito difundida na América Latina, na qual os dançarinos são pares soltos que entre passeios e sapateios dos homens e sarandeios das mulheres, agitam pequenos lenços na indicação de uma conquista entre o homem e a mulher.
Tatu de Castanholas: Música folclórica gaúcha, cuja coreografia foi criada posteriormente utilizando –se de sapateios já existentes em outras danças, mas que adquiriram uma forma especial quando os pares soltos alternam os sapateios e evoluções chamadas passeios.
Pezinho: originária de Portugal e Açores é vivas e alegre , com características de ingenuidade. Ë a mais conhecida dança do folclore gaúcho, onde os dançarinos apresentam duas partes: na primeira há uma marcação dos pés e na Segunda os pares giram em torno de si próprios, tomados pelo braço.
Cana-verde: Originária de Portugal, se tornou popular em vários estados brasileiros e adquiriu formas locais em cada região, produzindo variantes da dança origem. Os pares postam-se frente - a - frente, executam a marcação de passos para os lados e após, tomados pelo braço, giram em torno de si mesmos. Num segundo momento fazem o mesmo com os demais dançarinos trocando de pares em evoluções através do círculo formado pelos pares.
Roseira: Uma das danças regionais sul-rio-grandenses onde se percebe maior parentesco com danças regionais de Portugal. Coreografia muito rica onde os pares dançam soltos, outras de mãos dadas em ritmo rápido, outras há a execução de um namoro com gestos lentos e delicados e uma última onde, através de evoluções os homens e mulheres trocam com todos os outros pares da roda até reencontrar seu par original.
Balaio: Dança folclórica brasileira originaria do nordeste, mas bastante popular no Rio Grande do Sul. Trata-se de uma dança de sapateada e, ao mesmo tempo, de conjunto. Além do sapateio destaca-se a formação de rodas que giram.
Chote de carreirinha: Dança folclórica gaúcha originária do schottinh trazido pelos imigrantes alemães. Na primeira parte da dança, os pares desenvolvem uma pequena corrida compassada, o que deu razão ao nome da dança: carreirinha.
Chote de duas damas: Não se sabe ao certo como surgiu esta modalidade coreográfica excepcional entre os gaúchos, pois os homens dançam com duas mulheres ao mesmo tempo. Pode ser influência Platina ou imigração alemã, numa das antigas danças germânicas desse gênero.
Chula: De origem polêmica possivelmente desenvolvida no Rio Grande do Sul no século XIX. Caracteriza-se pela agilidade do sapateio dos peões, em disputas, sapateando sobre uma lança estendida no salão. Citada como espécie de jogo típico dos gaúchos. Dois dançarinos ficam frente a frente tendo entre si uma lança de quatro metros de comprimento. Um dos oponentes executava uma seqüência de difíceis passos coreográficos indo até a extremidade oposta e voltando ao seu lugar de origem. Ao segundo oponente cabia, repetir o passo do primeiro e fazer um mais difícil, ao que seu procedente deveria proceder da mesma forma. Perdia a disputa aquele que saísse do ritmo, errasse o passo ou chutasse a lança.
Dança dos Facões: Dança folclórica gaúcha apresentada somente por homens. O elemento coreográfico principal é o facão, instrumento de trabalho que foi e ainda é usado como espada. Destaca-se a importância da coordenação de movimentos e verossimilhança de ataques e defesa.
Chimarrita: : Dança que os colonos açorianos trouxeram para o sul do Brasil no final do século XVIII. Do Rio Grande do Sul, a dança passou para outros estados brasileiros onde foi adotando diferentes estilos coreográficos. No seu estilo tradicional a Chimarrita é dança de pares em fileiras opostas. As fileiras se cruzam, se afastam em direções contrárias e tornam a se aproximar, lembrando as evoluções de certas danças tipicamente portuguesas.
Malambo: É como a chula, uma dança de desafio executado apenas por homens, proveniente de nossos irmãos gaúchos platinos. Existe diversos tipos de malambo, os mais conhecidos são o Norteño, com passos curtos e música dividida em quatro compassos musicais e o Sudeño, com passos alternados e mais longos e outros tão breve quanto os do Norteño. Sua origem atribuiu-se à tentativa dos campeiros de imitarem na dança o ruído do bater dos cascos dos cavalo no chão.
MÚSICA
A música gaúcha de origem tradicionalista parece ter origem na escola literária do parnasianismo, por sua semelhança quando canta coisas da natureza e do ambiente como: a terra, o chão, os costumes, o cavalo - e pela musicalidade, sempre buscando a rima num arranjo muito acertado com as melodias, criando entre letra, música e dramatização, uma dinâmica que rebusca origens e paixões.
O estilo musical gauchesco mostra também origens fortes na música flamenca espanhola, e na música portuguesa. Os campos harmônicos bem arranjados, denotam ritmos bem elaborados e melodias com dois ou mais violões. Com uma formação harmônica/melódica complexa, a música tradicionalista torna-se difícil de ser interpretada em alguns casos, por outros grupos ou músicos que não possuem ligação direta com a cultura gaúcha.
Algumas metáforas e temas são particularmente freqüentes na música gaúcha. A primeira delas é o amor pelo Rio Grande do Sul, este amor pelo Rio Grande do Sul muitas vezes toma a forma de um amor pelo mundo rural do peão gaúcho, mundo este muitas vezes retratado como em extinção.
O segundo tema muito presente é o cavalo (geralmente da raça crioula, mas isso nem sempre fica explícito), que aparece de diversas maneiras; primeiro, como um objeto de admiração e companheiro de trabalho, em segundo lugar, o cavalo também aparece como uma personificação do próprio gaúcho.
O CAVALO: MELHOR AMIGO DO GAÚCHO
O cavalo Crioulo é protagonista do desenvolvimento de uma civilização e de uma cultura que se ergueu nos pagos do sul das Américas. Foi no lombo de um cavalo que esta terra se fez e se faz. Foi no bater dos cascos dos crinudos, pêlo duro, buenos de função, que o gaúcho ergueu sua pátria e conquistou seu chão.
O cavalo, amigo inseparável, companheiro das guerras, do trabalho, da lida e da diversão, se confunde com a própria identidade do gaúcho. O Crioulo é o símbolo maior desse Rio Grande, é o elo que liga o campeiro ao seu chão, às suas raízes, à tradição.
Esse amor, quase inexplicável, por esse parceiro velho, é um sentimento tão bonito e tão profundo que só mesmo o gaúcho entende.
Sua genética, morfologia e função é, senão, o mais perfeito exemplo do que um cavalo é capaz de ser e fazer.
Existe, entre o gaúcho e os cavalos, verdadeiras relações sociais. Esses bichos, para uns, fazem parte da família; para outros, são verdadeiros amigos do peito.
E é assim que os homens dessa terra cultivam e não deixam que suas raízes se percam na história. É nas relações de amor e de respeito pelo cavalo que o gaúcho mantém a chama da tradição acesa. Só mesmo quem conhece seu cavalo entende esse amor incondicional firmado na fidelidade e na amizade entre cavalo e peão.
Fonte: Revista Tchê Online
CTGs
Os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) são sociedades civis sem fins lucrativos, que buscam divulgar as tradições e o folclore da cultura gaúcha tal como foi codificada e registrada por folcloristas reconhecidos pelo movimento.
Diferenciam-se de Departamentos de Tradições Gaúchas, porque esses últimos geralmente estão ligados a alguma instituição.
Visam à integração social dos seus participantes, os tradicionalistas, ao resgate e à preservação dos costumes dos gaúchos, através da dança, do churrasco e de esportes. Existem muitos Centros de Tradições Gaúchas no Brasil, mas principalmente no estado do Rio Grande do Sul.
LENDAS GAÚCHAS
As lendas são histórias do País contada pelo seu povo. A lenda é local e se localiza no tempo obrigatoriamente.
O povo conta lendas para fazer a sua autobiografia, para relatar as suas memória. Trata-se de uma profunda e urgente necessidade de explicar-se. As lendas são assim um depoimento que o povo faz sobre si mesmo e para si mesmo. A lenda mais conhecida no Rio Grande do Sul é sem dúvida a do Negrinho do Pastoreio mas existem outros...
Negrinho do Pastoreio
Salamanca do Jarau
Boitatá
Caverá
...e outras...
LITERATURA GAÚCHA
Chimarrão
Autoria: Glaucus Saraiva
Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.
Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.
Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: "Avançar"!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim.
Oração do Gaúcho
(D. Luiz Felipe de Nadal, Bispo de Uruguaiana)
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e com licença do Patrão Celestial.
Vou chegando, enquanto cevo o amargo de minhas confidências, porque ao romper da madrugada e ao descambar do sol, preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu, a força e a coragem para o entrevero do dia que passa.
Eu bem sei que qualquer guasca, bem pilchado, de faca, rebenque e esporas, não se afirma nos arreios da vida, se não se estriba na proteção do Céu.
Ouve, Patrão Celeste, a oração que te faço ao romper da madrugada e ao descambar do sol:
"Tomara que todo o mundo seja como irmão!. Ajuda-me a perdoar as afrontas e não fazer aos outros o que não quero para mim".
Perdoa-me, Senhor, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana, de quando em vez, quase se querer, em me solto porteira a fora... Êta potrilho chucro, renegado e caborteiro...mas eu te garanto, meu Senhor, quero ser bom e direito!
Ajuda-me, Virgem Maria, primeira prenda do Céu. Socorre-me, São Pedro, Capataz da Estância Gaúcha. Pra fim de conversa, vou te dizer meu Deus, mas somente pra ti, que tua vontade leve a minha de cabresto pra todo o sempre e até a querência do Céu. Amém
Pilchas
(Luiz Coronel)
Não pensem que são pirilampos
essas estrelas lá fora.
É a lua clara dos campos
refletida nas esporas.
Se uso vincha na testa
é pra ver o mundo mais claro.
Não vendo o mundo por frestas
lhe posso fazer reparos.
Sem cinturão nem guaiaca
me sinto quase em pelo.
Quando meu laço desata
sou carretel de novelo.
Da bodega levo um trago
para matar aminha sede.
Meu chapéu de aba quebrada
beija-santo-de-parede.
Atirei as boleadeiras
contra a noite que surgia.
Noite a dentro entre as estrelas
se tornaram três-marias.
O Cavalo Crioulo e o Soneto
Vasco Mello Leiria
Pseud.: Capitão Caraguatá
Lombo liso, o pescoço bem plantado
o peito largo, a garupa forte e rica,
bons aprumos e bem proporcionado
o meu pingo crioulo pontifica,
desde a lenda, com arte, emoldurado...
O soneto é seu par, e notifica,
entre os quatorze versos, enquadrado,
o fundo, a forma, com que justifica,
a sua "unidade e harmonia"...
Pingos buenos, que, em rima, vão troteando,
com impulsão da raça, e... de estesia,
e, baralhando o freio, tempo a fora,
soberbos como china... se amansando,
com muito jeito, com estro e com espora.



